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Cobre direito ou faça de graça: nunca se venda barato

Existe algo pior do que trabalhar de graça: cobrar pouco. Se tem algo com grandes chances de dar merda frustrar expectativas de ambos os lados é quando o serviço é barato.

O que é “barato?” É o marido da barata, tu-du-tshi!

Ok, chega. Sério agora. Para mim, cobrar pouco é cobrar menos por um texto do que você acha que seria justo. (E se você acha que deveria ganhar um milhão de dólares por texto, desculpe, você está na carreira errada. Escrever não é tão chato assim.)

Se você acredita que não está sendo valorizado por aquele texto, você vai produzir sem tesão. Vai escrever arrastado, não vai ter vontade de reescrever e revisar, e com certeza vai entregar um trabalho pior do que se tivesse ganhado bem para fazer. E se você entrega um trabalho ruim, o cliente não vai querer aumentar seu passe, e você vai escrever outro trabalho cobrando pouco, e assim, o seu texto, em vez de melhorar, fica cada vez pior.

Isso é uma das coisas mais perigosas. Nós devemos estar sempre melhorando a nossa produção, e não o contrário! E tem outra, em qualquer mercado, as informações vazam de maneiras misteriosas, provavelmente culpa dos gnomos traficantes de informação, e em dois pulos sua má fama já está na boca de todas os potenciais contratantes. E não se engane, é possível ver a diferença entre o texto de uma iniciante, que ainda está pegando o jeito mas tem potencial, e alguém que fez de má vontade.

Uma das coisas interessantes sobre a vida de freela é que um job puxa o outro, muitas vezes nos mesmos parâmetros (de novo os gnomos…). Você entrega um tipo de trabalho uma, duas vezes, e logo está cheio de pedidos de orçamento de textos semelhantes. Se você cobrou barato por um texto ruim… Bem, a tendência é vir mais disso aí.

“Mas esse assunto é muito árido…” Queridão, não existe assunto árido, você que não quer cavar mais que um metro para encontrar água. Sim, é mais fácil falar de algumas coisas que outras, mas isso também tem a ver com o que você quer trabalhar (especializar-se em um determinado nicho ajuda você a cobrar mais, lembra?).

Você tem que jogar o jogo. E saber cobrar bem é como um trabalho bem feito da diretoria do time. Ok, esquece a metáfora, não entendo nada de futebol. O que eu quero dizer é que nem sempre eu gosto do texto que estou fazendo. Mas aí eu sei quanto estou ganhando para fazer esse texto, e não é pouco, então é melhor que o danado saia bonito, limpinho e cheiroso, que é o mínimo, nem que eu tenha que polir duas, três ou cinco vezes.

Sabe o que acontece quando você faz aquele precinho camarada baratinho? O cliente acha que está pagando bem (o cliente sempre acha isso) e exigirá o seu melhor. Ao mesmo tempo, você se sente desvalorizado e não fará um bom trabalho. O resultado? KA-TA-PLOFT! (Imagine o som da sua carreira caindo da janela). Pelo menos, de graça, as cartas estão na mesa e as expectativas são menores.

Você pode trabalhar de graça, há mérito nisso e situações onde você realmente ganha de outras formas, mas sobre isso eu já escrevi lá no começo desta série.

Eu sei que a vida de freela não é fácil. Há momentos em que você está sem grana e com vontade de escrever uma bíblia em troca de um aviãozinho de dinheiro do Sílvio Santos. Faça um esforço, tente não desvalorizar seu trabalho. Eu cheguei a estar nessa situação (más línguas dizem que eu ainda estou nesta situação). Minha solução foi encontrar alguns bicos que não têm a ver com a escrita e pagavam muito menos por hora, é o que tem pra hoje, mas isso permitiu que o meu trabalho de verdade, o que eu escrevo, não precisasse ser vendido a preço de banana.

Certo, colega? Cobre o preço que o trabalho vale, entre em um acordo, vale negociar e achar algo que seja bom para todo mundo, mas nunca, nunca aceite um job de má vontade por um valor irrisório. É muito difícil conseguir subir seu preço quando você é conhecido por entregar trabalho ruim.

A cenourinha

Tem um truque que eu uso em certos trabalhos. Alguns deles são chatos, é a vida. Então eu uso parte desse valor (uns 10 a 20%) para me dar de presente alguma coisa que eu quero, mas não que é exatamente algo necessário ou útil.

Esses dias fiz um trabalho para uma agência, algo que eu não estava a fim de fazer. Certo, preço justo negociado, eu decidi que com parte do dinheiro eu ia comprar umas peças para a moto. Então, enquanto eu estava trabalhando e a coisa começava a ficar mais embolada, eu lembrava “opa, olha o protetor de mão vindo aí”, então ficava todo empolgado e caprichava naquele texto que ia me dar um protetor de mão. Não sei se isso faz sentido para você, mas para mim faz. E, de job em job, minha moto vai virando uma árvore de Natal.

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Este conteúdo faz parte do ebook “Quanto vale o seu texto“.

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Frase do dia: Quem muito abaixa mostra a bunda.

Foto: Imagens by Valdemar via Compfight cc

Postado em Leituras no dia 25 de abril de 2016

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