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Como conseguir freelas de redação

Viver de home-office é o sonho de muita gente, mas para isso você precisa de clientes ou de um cônjuge rico. Aí vem aquela perguntinha básica e tão difícil de responder: como conseguir freelas de redação?

Opa, você quer a fórmula mágica? Estamos aqui para isso! (E provavelmente para te desapontar com a resposta). E já que o elefante está na sala, vamos começar com ele: dá para viver da escrita?

Sim, eu vivo do que produzo como redator freelancer, mas, ganho menos do que ganhava quando em agência (mas também tenho menos gastos fixos com combustível, manutenção da moto, e economizo bastante almoçando em casa). Mas principalmente, sem uma rotina estressante, compro bem menos por impulso.

Mas quanto? Olha, num mês comum dá para sair com 2.500 reais. Num bom (e raro) mês, com 5 mil dinheiros. Na média é menos do que vários colegas tiram em agências, mas economizando nos supérfluos dá para viver com conforto. Eu estou há dois anos exclusivamente como freelancer . O começo é bem difícil, até você encontrar clientes fixos que ajudem a vencer o mês a mês. Você vai precisar de um pé de meia ou outra fonte de renda.

Dito isso, vale aquelas dicas básicas: você precisa se conhecer, precisa ser automotivado e na maioria das vezes o melhor caminho é ir pegando freelas à noite até conseguir tomar a decisão de sair de um emprego fixo.

Leia também essas onze dicas do Adoro Home Office sobre pedir demissão para ser freela.

Não saia da faculdade direto para a vida freelancer

Vixe, já devo ter desanimado uma pá de gente. Muita gente faz trabalhos como freelancer durante a faculdade, mas eu recomendo pelo menos alguns anos trabalhando no mercado.

– Você precisa de experiência de verdade. O problema de sair da faculdade para trabalhar como freelancer é que você não sabe como as coisas funcionam de verdade em uma agência. Experiência universitária é uma coisa, o mundo real é outra. Às vezes você tem que produzir uma peça em três horas. Às vezes você senta do lado do diretor de arte para cortar metade daquele parágrafo lindo que você levou dias para refinar porque não cabe no layout. E nem me deixe começar a falar sobre briefing de post-it.

– É bom ter um chefe (ou redator chefe) olhando o seu texto. Mesmo com certa experiência, sinto falta de ter um redator chefe para olhar meu texto e dizer “olha, Rodrigo, isso aqui ficaria melhor assim” ou “cara, essa expressão está soando machista, vai dar merda”. Quando você ainda está fresco da faculdade isso é imprescindível para te colocar no nível do mercado. Enquanto você está na faixa de “redator júnior” (aqueles cujo texto precisa passar por outros olhos antes de ir para a arte), não recomendo começar a carreira como freelancer exclusivo. Até hoje, quando estou em dúvida sobre alguns textos, sempre peço para amigos redatores darem uma olhada para ver se escrevi alguma besteira ou se o propósito está claro.

– Você vai precisar de contatos. A maioria dos meus freelas vêm, direta ou indiretamente, de gente com quem eu já trabalhei. São pessoas que me conhecem pessoalmente e conhecem o meu trabalho a ponto de recomendá-lo. O mercado de publicidade e agências tem uma vantagem extra: é um mercado com um turnover imenso. (Turnover é a movimentação de pessoas entre empresas. Sai daqui, vai trabalhar ali, depois em outro lugar, às vezes parando somente um ou dois anos em cada lugar, principalmente no começo da carreira). Para freelancers isso é uma vantagem, já que a equipe com quem você trabalhou estará em cinco ou seis agências diferentes quando você estiver freelando.

Como conseguir as fritas os freelas

Certo, a partir daqui estou assumindo aqui que o seu texto é bom. Se não for, é preciso primeiro aprimorar o texto, ou nada vai dar certo. Contatos, certo? Então a primeira dica.

Todos os seus contatos precisam saber que você está pegando freelas. Nunca menospreze a sua rede. Quando mudei para freelancer em tempo integral fiz uma planilha com todos os meus contatos ligados ao mercado publicitário, ou que trabalhavam com marketing. Anotei o e-mail de cada um deles e todos os dias enviava de cinco a dez e-mails pessoais explicando que eu estava vivendo como freelancer, o tipo de trabalho que eu faço e link para portfolio. Todos os e-mails eram pessoais (nominais) e eu fazia questão de incluir algo que mostrasse que aquele e-mail tinha sido exclusivo.

Como a lista de contatos era grande, cada amigo meu recebia um desses a cada oito ou dez meses. Hoje, como tenho recebido um volume razoável de freelas, parei de fazer isso, mas se os clientes sumirem, pode ter certeza que voltarei a essa estratégia, que funcionou bem. A maioria não vai ter um job na manga, mas a médio prazo, sempre que aparecer algo, eles vão se lembrar de você.

O e-mail era simples e direto, mais ou menos assim:

Olá, Harry Potter, tudo bem? Como vai os rolês de moto? Vi as fotos da tua viagem para Hogwards, deu vontade de ir!

Estou enviando este e-mail para perguntar se você sabe de alguém que precise de redator freelancer, ou se você tem algum job para mim. Desde o ano passado estou vivendo de freelas para conseguir investir em literatura.

Faço posts para blogs e redes sociais, conteúdo para newsletter, anúncio, texto para site ou roteiros para áudio, vídeo e apresentações. Também posso fazer revisão ou conteúdo para projetos especiais. :-]

Tenho um breve portfolio online com os principais trabalhos em http://rodrigovankampen.com.br.
Se souber de algo, ficaria muito feliz com uma indicação.

Abraço!
Rodrigo

Procure outros freelancers que fazem a mesma coisa que você. Sim, “a concorrência!” Quanto mais camaradagem você tiver com os seus pares, mais vocês conseguem conversar sobre quanto cobrar e trocar dicas sobre clientes que pagam ou não. Além do mais, jobs viajam em manada. Vai ter mês de vacas magras, outros em que você não poderá dar conta da demanda. Nessa hora a melhor coisa é indicar um outro redator de confiança. Aí duas coisas mágicas acontecem: você ganha a confiança do cliente (deixa eu passar para o Rodrigo, eu sei que ele não puder pegar vai indicar alguém bom). E ganha a confiança do compañero, que vai retribuir o favor hora ou outra.

Tenha um portfolio e continue exercitando. Às vezes, principalmente no começo, a coisa vai ser um pouco devagar. A pior coisa que você pode fazer nesse período é ficar parado. É preciso criar portfolio sempre, de maneira constante. Faça trabalhos gratuitamente para instituições de caridade, invente um blog, faça cursos online de literatura e redação, escreva textão defendendo os pandas, qualquer coisa! Depois junte tudo isso num portfolio que apresente seu trabalho de maneira bacana. Não se preocupe com o layout, algo simples funciona bem.

Especialize-se em um assunto. Essa é uma das melhores coisas que você pode fazer pela sua carreira. Escolha um assunto que você goste e comece a escrever como louco sobre esse assunto. Quer falar de moda para homens gays? É fascinado por mecânica de motocicletas? Deseja ter a maior coleção de cactus e suculentas do Brasil? Comece a escrever sobre isso, faça um blog sobre o assunto, descubra comunidades e se torne o melhor redator sobre isso na Terra! Especializar-se tem tripla vantagem: você tem mais chances de conseguir jobs dentro de um assunto que adora, tem grandes chances da própria comunidade te arrumar um trabalho e também limita o seu campo de atuação: cocê só precisa procurar empresas daquele assunto, e poderá chegar com uma proposta irrecusável.

Palavrinhas finais

Cuidado com o preço do seu trabalho. Defina uma tabela coerente com sua experiência e evite jogar o preço lá embaixo só para conseguir o job. Uma vez que você comece a trabalhar por um valor baixo, ficará muito difícil cobrar corretamente, e você acabará com muito trabalho e pouco dinheiro, o que não é vantajoso para ninguém (e agência que paga mal o primeiro job não pagará bem pelo próximo).

Escrevi um livro inteiro sobre quanto cobrar pelo seu texto, que você pode baixar de graça. 😉

Outro caso particularmente relevante para redatores são as empresa que chamo de “fazendas de conteúdo”. São sites com uma grande oferta de conteúdo, é só pegar, escrever e entregar. Isso tem alguns problemas, o principal deles é que o valor pago por texto é muito baixo. Mas já escrevi sobre o assunto neste post.

Quer freelas de redação? Peça. Hoje recebo pedidos de orçamento de freelas com uma frequência razoável, mas por um bom tempo a estratégia principal era me manter escrevendo com frequência para mostrar meu trabalho (sim, você descobriu de onde veio o Viver da Escrita), enquanto eu perguntava aos amigos e contatos do mercado se havia algo disponível.

Porque um pouquinho de carão não faz mal a ninguém.

Frase do dia: Redator publicitário especializado em sacadinhas e trocadilhos.

Foto: mmmyoso via Compfight cc

Postado em Redação no dia 14 de julho de 2016

Um Comentário

  1. Ótimo texto, como sempre!
    Continue nos presenteando com o bom trabalho!
    Abraços!

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