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Confissões de um ex pirata, atual artista

Venho tentando escrever esse texto há dois anos, mas nunca consegui chegar à conclusão final. E, enquanto escrevo estas primeiras linhas, já adianto que ela não existe.

Então por que publicá-lo agora? O assunto voltou à minha mente pela junção de duas notícias recentes. Uma delas vinda da newsletter um escritor e amigo, Jim Anotsu:

O que me levou a largar o projeto [do segundo livro de "Rani e o Sino da Divisão"] foi: Pirataria. O primeiro livro teve boas criticas, mas não vendeu muito – okay, como muita coisa, mas eu ainda pretendia fazer mais dois, um pra cada ano de ensino médio da Rani. Os planos continuavam iguais, mesmo com o barulho dos Herobrines, porque a Rani era a minha personagem do coração. Então, mesmo com esse fato, eu estava disposto a terminar Rani, desenvolver os Animais de Festa e trazer novas histórias. Eu ainda vou fazer isso, vou entregar outras histórias, mas preciso me afastar desse mundo agora pra não me corroer.

Tipo, é uma discussão muito complicada de se ter. O mundo mudou, a forma de leitura está mudando – Kindle, celular, telas e tal. Acho que é meio que nosso papel descobrir como navegar nesse mundo e ver como as coisas vão se acertar.

Aí, aconteceu que o livro foi pirateado, muito pirateado, vários sites, blogs e tal. Pessoas que vinham comentar comigo no twitter que "li o pdf, amei muito, quero achar os seus outros livros pra baixar". Assim, eu entendo que a pessoa quer elogiar, mas acaba machucando. Eu fico com aquele sentimento de… E agora?

Publicar um livro é difícil – tanto pro autor quanto pra editora. Entre gastos com revisão, preparação, impressão, distribuição e coisas do tipo, se torna uma brincadeira muito cara. E mesmo depois que vende, o autor só recebe 10% (ou menos) do livro – tem distribuição, livraria, marketing, etc. Então, pra um autor ganhar algo com isso, tem que vender MUITA coisa. Isso, sem contar o trabalho emocional, o lance de ficar horas sentado escrevendo, pesquisando, deixando de ficar com nossas famílias fora do horário de trabalho (a maior parte dos autores tem um "emprego de verdade" e usa literatura nos horários livres).

A segunda notícia é a descoberta de um site com o seguinte "modelo de negócios": disponibilizar ebooks pirateados para download em um site lotado de anúncios. Mas espere! Você pode pagar uma "taxa premium" e baixar os mesmos ebooks pirateados sem precisar ver os anúncios, ou tê-los enviados diretamente para você. Como eu descobri o tal site? Eles colocaram as edições da Trasgo lá.

A Trasgo, que pode ser lida e baixada diretamente no site da revista, sem publicidade invasiva, sem nonsense. Em vez de xingar muito no Twitter…

Ok, DEPOIS de xingar muito no Twitter, engoli a frustração e resolvi transformar isso em algo um pouco mais produtivo: um textão com alguns pensamentos sobre pirataria e formação cultural.

Antes disso, vamos pontuar algumas definições:

"Pirataria" é um termo guarda-chuva que envolve várias coisas diferentes, entre elas as noções de plágio e cultura do remix, mas não vou abordar nada disso. Neste texto, abordo apenas o lado da pirataria como consumo de bens culturais.

Já no lado do consumo, podemos dividir a pirataria em dois grandes grupos. O primeiro é o grupo do "compartilhamento", que aborda coisas como torrent, fandom, fansubs… Em suma, são fãs das obras que as compartilham (de modo ilegal), às vezes facilitando o acesso criando legendas, explicações, convertendo formatos para aumentar a difusão. O importante é que ninguém ganha dinheiro com isso (pelo menos não diretamente).

O segundo grupo é aquele que pratica a pirataria para lucro. Disponibiliza o conteúdo alheio em um site cheio de publicidade, ou sob uma taxa financeira. Não existe nada que justifique a atitude desse grupo, e eu não entendo por que alguém gasta dinheiro com essas pessoas em vez de pagar para o próprio autor e tals. Quem faz isso e quem financia esse tipo de "negócio" merece uma visitinha de um batalhão de daleks. Eu incluo nessa categoria o vendedor de DVDs piratas do camelô (que é só um coitado numa cadeia muito mais complexa, que não cabe discutir aqui).

Então, neste texto, quando eu falo de "pirataria", estou falando da cultura do compartilhamento.

Hora do flashback, deixe-me contar uma historinha

Fui uma criança que lia muito. Daquele tipo que a bibliotecária da escola deixava pegar três ou quatro livros de cada vez na biblioteca, em vez de apenas os dois permitidos. Durante o ensino fundamental eu li boa parte daquela biblioteca da escola, e passava pelo menos duas vezes por semana na Biblioteca Municipal.

No Ensino Médio, mudei de cidade, estudava em um colégio técnico da Unicamp cuja biblioteca era compartilhada com o ensino superior. Era uma biblioteca bastante técnica, recheada de livros técnicos. A parte de ficção se restringia aos clássicos, e olhe lá. Foi quando comecei a descobrir a pirataria de livros online.

Nessa época, eu lia um ou dois livros por semana, às vezes mais. Meus pais sempre compraram livros, mas o que dava para bancar era um por mês. Ou seja, eu tinha muito mais vontade de ler do que dinheiro para comprá-los.

Eu dava meus pulos. Trocava e emprestava com amigos (embora nessa época poucos amigos tivessem uma sede de leitura tão grande quanto a minha, o que contribuía para aquele sentimento deslocado do garoto estranho com a cara enfiado em um livro). E "baixava". Sim, eu pirateava muito livro. Alguns dos que baixava eu acabava comprando para dar de presente para alguém.

E não eram apenas livros. Música, filmes, software. Quase todos os jogos clássicos que marcaram a minha adolescência eram os RPGs de Super Nintendo, e eu nunca tive um console, vivia à base de emuladores. Eu tive um Atari, e depois pulei direto para o Wii. Mas joguei todos os clássicos no meio do caminho, incluindo os Final Fantasy, Chrono Trigger e afins. Assim como os clássicos de PC, a era dos "Adventures" que começava com "The Secret of Monkey Island" (o jogo que praticamente me ensinou inglês), passando por Full Throttle e The Dig, um dos jogos mais emocionalmente complexos da época.

O que eu quero dizer é que a pirataria foi fundamental na minha formação cultural. Mesmo sendo privilegiado e pertencendo à classe média brasileira, eu não tinha condições de bancar toda a cultura que eu consumia. Então entramos em outros problemas. Um deles é que consumir cultura no Brasil é caro. (Considerando média de salários, custo de vida e a porcentagem que cada produto desses reflete no salário mínimo.)

Seria muito fácil hoje, que sou produtor de conteúdo, assumir a postura de que pirataria é errado e pronto. Mas seria uma grande hipocrisia. O assunto é muito mais complexo, principalmente se considerarmos o valor de uma boa formação cultural na educação das crianças e adolescentes.

Isso significa, então, que eu sou a favor da pirataria?

Durante a faculdade aconteceu algo meio mágico. Arrumei um emprego e comecei a ter um salário. Primeiro emprego, segundo, o salário melhora um pouquinho… De repente, começou a fazer sentido pagar por produtos culturais. E aos poucos, devagar, eu fui diminuindo gradativamente a quantidade de produtos pirateados que eu consumia.

A pirataria é algo bastante complexo no Brasil. Há quem diga que isso é culpa do perfil do brasileiro (que prefere pagar todo mês para participar de um grupo no WhatsApp que avisa onde estão os radares e policiais do que simplesmente respeitar as leis de trânsito). E há quem defenda a máxima da "comodidade", que dita que a única forma de vencer a pirataria é tornar mais cômodo comprar o produto do que pirateá-lo (vide Netflix, Amazon com livros digitais e afins).

Nós vivemos num país em que agências de publicidade com contratos milionários não veem nenhum problema em manter todo o pacote Adobe pirateado nas máquinas, mesmo que essa seja a principal ferramenta da qual extraem o seu ganha pão.

Ou, mantendo a discussão nos produtos culturais, vejo praticamente todo o meu círculo de amigos comentando Game of Thrones e Westworld, e sei que a maioria deles não tem HBO. Hummmm…

Em algum momento da minha vida, eu percebi que eu tinha dinheiro para bancar a maioria dos produtos culturais que consumia. Aos poucos, fui baixando cada vez menos e comprando mais, até o ponto que hoje, quando o Windows foi atualizado para a versão 10, nem software pirata eu tenho no meu computador (e open source é vida).

Eu não sou rico. É que em determinado momento da sua vida começa a fazer sentido abrir mão de algumas coisas. Você deixa de jantar fora numa semana para comprar aquele livro que você quer tanto ler. E assim por diante. Faz escolhas, e estas escolhas ajudam a construir um caminho cultural único para você, em vez de baixar e ver só o que todo mundo está baixando e vendo.

Jogando mais sal na discussão: Gaiman, Paulo Coelho e Doctorow

Vamos sair do meu mundinho e pensar um pouco em mercado e cultura em geral. E adiantar alguns links antes que vocês comecem a encher a caixa de comentários com eles.

O primeiro é um vídeo de Neil Gaiman sobre pirataria. Não é o único, Gaiman já discursou algumas vezes sobre o assunto, e sua opinião é consistente.

O que ele diz segue uma linha de argumentação compartilhada por pessoas como Paulo Coelho, Cory Doctorow, Lawrence Lessig e vários outros especialistas e pensadores no assunto. Em poucas palavras, dizem que:

  • As leis de Direitos Autorais, como são hoje, estão "quebradas". São um monolito para proteger grandes corporações e que sufocam a criatividade, o compartilhamento de conhecimento, e não atendem ao interesse público, somente a interesses privados.
  • O argumento de que "cada download é uma venda perdida" é inválido. A pessoa que baixa o conteúdo já não compraria aquele produto de qualquer forma. Portanto, é mais um fã conquistado que poderá comprar futuros produtos. Ou seja, puro marketing e evangelização.
  • Qualquer tipo de comparação com produtos físicos (você não roubaria um carro, como diz a propaganda imbecil no começo dos DVDs) é estúpida, já que, enquanto qualquer produto físico é limitado, o produto intangível é infinito, cada cópia pode gerar infinitas cópias idênticas a um custo virtualmente nulo.
  • A comparação com "produtos" é anacrônica, é preciso começar a pensar em "licenças de uso", que fazem muito mais sentido do que a "compra".
  • A obscuridade é muito pior para um artista do que a pirataria.

"No entanto, você não consegue comer fama", completa Doctorow em uma das palestras sobre o assunto. Ou, em outras palavras, até Youtubers com milhões de assinantes não vivem dos vídeos que fazem sua fama, e sim dos produtos (e publicidade) atrelado às suas marcas (inclusive livros).

Ou, seja, tem uma galera que diz que a pirataria é, na verdade, benéfica para o autor, capaz de tirá-lo do anonimato e torná-lo mais conhecido, o que resulta em mais vendas.

Deixe-me contar o caso da Trasgo como ilustração. No primeiro ano, a revista era totalmente gratuita. Fomos crescendo, ao ponto de atingir próximo a mil downloads por edição. No segundo ano, resolvemos virar a chave e começamos a cobrar pela Trasgo. Uma cobrança simbólica, de cinco reais por edição. Nós vendemos… pouco mais de 10 unidades. Todas aquelas mil pessoas empolgadas com a revista não estavam dispostas a desembolsar cinco reais para lê-la. Podemos pensar numa argumentação semelhante em relação ao número de downloads.

A Grande Corporação Maligna vs O Artista Independente

Para complicar ainda mais, temos a dualidade do independente e do popular. Quando você baixa uma obra, talvez você faça com que um pobre executivo milionário não consiga pagar o polimento da roda de sua Land Rover. O dano atinge principalmente o "executivo da grande corporação maligna", enquanto o artista ganha com a popularidade e tira mais dinheiro disso.

Ok… Se existe algo de verdade aí, também temos que pensar em indústrias diferentes. Escritor não faz show. No máximo dá cursos e palestras, e também não são todos que se dedicam a isso, uma vez que escrever não é ensinar. Stephen King não precisa do meu dinheiro. Neil Gaiman também não. Mas a editora que publica esses caras às vezes é a mesma que investe naquela autora nova que ninguém conhece mas tem tudo para despontar.

É aquela história, o livro da Youtuber enche o caixa da editora para que ela possa arriscar na autora iniciante.

Às vezes o esquema é autopublicação. Aí fica difíci achar uma justificativa. Tem gente que acha que piratear autor independente é tranquilo, "estou divulgando teu trabalho, depois eu faço uma resenha, não fica bravo não". Mas para quem está começando, aquelas dez vendas podem fazer a diferença entre acreditar na própria escrita ou desistir de vez. É complicado.

Enfim, cadê conclusão?

Acho a questão toda tão complexa, e com tantos lados, que eu não consigo costurar uma conclusão convincente no final.

Eu não poderia ser hipócrita de bradar contra a pirataria, já que a minha formação cultural dependeu dela. E com as bibliotecas minguando e a literatura migrando cada vez mais para suportes digitais (que não permitem que o livro seja emprestado, compartilhado e nem dado de presente), como é que vamos incentivar o compartilhamento de cultura?

Ao mesmo tempo, não consigo falar "de boas, compartilhamento, isso aí é tudo marketing", principalmente levando em consideração a autora iniciante, de tiragens menores (lembrando que, no Brasil, a grande maioria se enquadra entre os pequenos).

Eu decidi parar de piratear quando passei a ter condições para isso. Quero consumir aquele produto? Eu pago. Isso me leva a fazer escolhas, a grana não dá para tudo. Então muitas vezes opto por comprar um livro, uma HQ, de uma autora independente. A consequência é ficar por fora de muita coisa que o pessoal não para de falar sobre, como GoT, ou Westworld. É o que faz sentido para mim hoje, que tenho minha fonte de renda e consigo pagar pelo que consumo. Mas é uma postura totalmente pessoal.

Agora, adolescentes? Não consigo culpá-los por ir atrás da sua formação cultural com os meios que têm à disposição. Sei que isso trará benefícios no futuro, para todos nós (vide as ocupações nas escolas). Mas fica aquela máxima: se você gostou tanto assim de um livro, se você gostou a ponto de topar pular a jantinha no McDonalds dessa semana, compre-o de presente para alguém. Fiz isso com vários livros que li a versão pirata. É uma pequena forma de ajudar a autora, o mercado e tudo o mais.

Eu sei que muitos têm uma visão diferente da minha. Tem algo a acrescentar? Os comentários são seus.

(PS: Links de sites de compartilhamento para conteúdo pirata serão excluídos dos comentários.)

Frase do dia: Yo ho, yo ho, a pirate's life for me. We pillage, we plunder, we rifle, and loot, Drink up, me 'earties, yo ho.

Foto: Reiterlied Flickr via Compfight cc

Published in Pensamentos no dia 17 de dezembro de 2016

7 Comments

  1. Kyanja Lee Kyanja Lee

    Bem fundamentado, Rodrigo. Como você, não tenho uma opinião 100% formada a respeito. Complicado apontar apenas os aspectos negativos da pirataria, porque em alguns momentos pode ser a salvação ou a porta de acesso à cultura para muitas pessoas que, de outra maneira, não consumiriam nada. Lamentável mesmo é saber que há sempre quem consiga tirar proveito e se beneficiar economicamente nesses casos.

    Espero que o próprio mercado nos dê as respostas.

  2. Também já estive do “lado negro”. Comecei a piratear na época em que os livros do Percy Jackson estavam começando a ser publicados por aqui e, como muitos fãs, eu não conseguia esperar pela tradução da editora e lia o pdf traduzido pelos fãs. Nisso, acabei descobrindo pdfs de outros livros, e logo começaram a compartilhar também epubs e mobis, que tornavam a leitura bem mais agradável. Acumulei montes de e-books baixados, e se li uns 20 daqueles anos para cá, foi muito. Aos poucos, quase sem perceber, fui deixando a pirataria de lado. Em parte porque passei a ganhar algum dinheiro (não posso ter emprego fixo porque a faculdade é integral, mas mesmo assim acabo conseguindo alguma coisa pontual), em parte porque vinha percebendo que, quando um livro realmente me enchia os olhos, eu acabava comprando, especialmente se achasse difícil encontrar o e-book (o que serviu para me mostrar que eu não estava realmente interessada no conteúdo, apenas levemente atraída pela premissa). E também porque, claro, foram surgindo alternativas baratas, como os e-books grátis na Amazon, o Pacotão Literário (uma iniciativa ótima e que ainda por cima aceita boleto <3) e a própria Trasgo (além do fato de eu ter uns 10 livros físicos na lista de leitura).

    Mas sei que baixar um e-book ou outro porque a mãe não quis comprar é diferente de piratear e vender (e eu não entendo as pessoas que compram dessas fontes; se ela está disposta a pagar e pode fazer isso, por que não pagar ao autor?). E estou com você: em vez de condenar a pirataria, acho que é realmente interessante oferecer algo que seja acessível e tão prático quanto, como bibliotecas melhor equipadas (e que tenham lançamentos recentes, pelo menos na medida do possível, já que é o que a maioria dos leitores procura), alternativas à Amazon que aceitem boleto, facilitar que as pessoas possam ter cartão de crédito, etc. E não sei se algo do tipo poderia funcionar, mas bibliotecas digitais que permitissem empréstimos de e-book, sem a pessoa ter que sair de casa, seriam muito legais.

  3. Pois é, a história de sua vida é a história de muitas vidas. Um pouco a minha, também. Um pouco, já que sou de outra época, sem internet. Mas semelhante, se eu considerar seriamente (e eu considero, espero que seriamente) que minhas leituras de adolescentes se deram em sua maioria via empréstimos, trocas. Essa coisa, eu asseguro, me deu um gosto onívoro, vez que eu devorava tudo que aparecia pelo simples fato de não ter certeza de quando a divindade do acaso me permitiria que um outro livro ou revista me chegaria às mãos. Agora, pirataria. Bem, já cheguei à conclusão de que não quero ter conclusões. Antes, eu prefiro ver a pirataria de bens culturais como um fenômeno de época; desta nossa época. Essaqui. Bem aqui. É do mal? Pode ser. Então pode ser detida? Duvido. E mais: prá que? Faz sentido? Sei lá. Olha aí minha conclusão (eu que não queria ter nenhuma): sei lá.

  4. Difícil tema, Rodrigo. Ótimo seu texto para pensarmos.
    Uma solução para a pirataria… lembro da época da faculdade, na pasta de cada professor, com textos, capítulos, livros, para xerox. A Biblioteca da escola, da universidade, não bastava quando, talvez, devesse bastar.
    Se tivéssemos bibliotecas com mais livros-filmes-músicas, um sistema de empréstimo de produtos digitais, talvez fosse um caminho. Biblioteca como centro cultural.
    Mas também não sei.
    Penso no orgulho que deveríamos ter em reconhecer nossos artistas, em dar-lhes valor, em querer que eles fossem remunerados para continuar a produzir arte… Poucos pensam na remuneração do artista. Aliás, a expressão “vida de artista” é associada à uma vida fácil, de prazeres… “fazer arte” dito a uma criança é normalmente associado a se fazer algo errado…
    Talvez a solução do problema não seja no produto final, mas nesse conceito que há sobre se fazer arte, nesse pouco respeito ao artista.
    A arte é um elefante branco… é algo não-comercial que é comercializado. Pensar sobre essa questão é um ato de resistência, acho. É se pensar em algo para o qual nenhum sistema econômico está preparado para enfrentar.
    Bem, irei parar por aqui antes que eu chegue às teorias da conspiração 😉

  5. Zeca Dastro Zeca Dastro

    Não justifica nada, mas sempre penso nisso: o que um autor pensa sobre sebos?

    • Não sei sobre autores em geral. Acho que a maioria é meio rato de sebo, na verdade. 🙂

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