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Deixe-me recomendar um teclado

Sabe qual é a ferramenta mais importante para o seu trabalho como escritor? (Ou programador, ou qualquer trabalho que envolva muitas horas digitando — ou seja, quase todo mundo?) O seu cérebro. Tá, esquece o cérebro, a segunda ferramenta mais importante: os olhos.

Esquece a metáfora. Suas mãos. Os braços, pulsos. É nisso que eu quero chegar. Você precisa muito das suas mãos para digitar. Cejura? E estourar os seus pulsos por falta de ergonomia é mais fácil do que você pensa. Deixe-me contar uma historinha:

Imagine que você tem uma empresa de desenvolvimento de aplicativos para celular. Então, num dia como outro qualquer aquela dorzinha no pulso está mais forte. Durante a semana ela só piora, até o ponto que você não consegue mais trabalhar de tanta dor. Aconteceu com um amigo, com o agravante que a empresa dele tinha apenas duas pessoas: ele e o sócio.

Quando trabalha para uma grande empresa, você tira uma licença, passa o mês afastado e depois volta. Se você é freela, autônomo ou coisa parecida, é bem mais complicado parar um mês inteiro. Tudo isso para dizer: cuidem dos seus pulsos, cuidem da ergonomia. Sério. Ou você pode terminar com os tendões de ambos os braços operados, como aconteceu com esse amigo da história.

Quando fiz o escritório novo, fiz questão de fazer minha própria mesa, com área rebaixada para o teclado e o mouse. Eu sento a bunda na cadeira e digito o dia todo, então eu preciso que seja uma área confortável. Bem confortável.

E eu uso o mouse na mão esquerda porque o tendão da direita é um pouco mais estragado.

Review – Teclado Microsoft Confort Curve 3000

Olha a onda, olha a onda…
olhaaonda

Então que a gente não pensa muito no teclado, né? Vamos usando o que vem com o computador, esse que está aí disponível. Quando o meu teclado velho de guerra começou a dar problema, senti que era hora de investir um pouquinho.

Perguntei a alguns amigos, mas ninguém conseguiu me passar uma recomendação decente. Mesmo os que programam ou escrevem não se preocupavam tanto assim. Apontaram algumas marcas, nenhum modelo. (Por isso estou escrevendo isso aqui. 😉 )

Comecei a pesquisar as opções. Queria um teclado que fosse mais ergonômico que os tradicionais, mas ao mesmo tempo não queria aqueles trambolhos enormes e altos (acho mais confortável manter o teclado baixo, próximo à mesa).

Só encontrava três categorias principais: teclados simples, mais baratos (e de menor qualidade); teclados simples cheios de teclas extras (que na prática não fariam diferença na digitação) e “teclados para gamers”, com teclas extras e tal.

O problema de teclados “tipo gamer” é que não encontrei nenhum que não fosse quadrado, tradicional. Faz sentido, já que a outra mão está sempre no mouse…

Li alguns bons reviews sobre esse Microsoft Confort Curve 3000 e resolvi apostar, comprei pela internet.

Ele custa entre 120 e 160 reais, dependendo da loja. Fiquei com receio de comprá-lo, pois todas as fotos mostram a versão internacional, apesar da descrição apontar a configuração que eu queria, ABNT2. (A posição das teclas muda de um para outro. ABNT2 é o teclado com o “ç”.) Algumas lojas vendem como “ABNT”, quando eu acho que é ABNT2. Essa confusão é um saco na hora de comprar online.

Ele é meio “tortinho”. Ok, curvo. Além disso, a área central é mais alta, o que puxa o seu polegar para cima, deixando o pulso em uma posição mais confortável. (Lógico que isso só faz sentido se você digita com as duas mãos e todos os dedos. Se você não faz isso, recomendo aprender. Redator olhando para o teclado enquanto digita? Que vergonha…)

ergonomia2

Na esquerda, uma simulação (exagerada) de como fica o seu pulso em teclados normais. À direita, o pulso com teclado ergonômico.
(Tirei essas duas fotos segurando o celular com a boca. Eu merecia um prêmio só por isso.)

O peso das teclas é bastante adequado. Não são leves a ponto de você apertar sem querer, nem tão pesadas que parecem uma máquina de escrever da década de 80. São firmes o bastante para o tão necessário “feedback tátil”. (É pela falta desse feedback tátil que digitar em telas é tão complicado.)

Comprei a versão com cabo, pois não tenho paciência para baterias e nunca tiro o teclado de cima dessa mesa, mas há uma versão com comunicação bluetooth, que, se não me engano, vem junto com um mouse também sem fio.

Por fim, uma coisa chata. Depois de quatro meses, a tecla de espaço começou a dar problema. Ela perdeu a sensibilidade, de modo que às vezes, quando a aperto, ela não vai (como se eu apertasse o suficiente para ativar a mola, mas não o botão abaixo dela, por isso estou tendo que a apertar mais forte agora). Conversei com o suporte da Microsoft, e eles vão me mandar outro novo sem custo e sem burocracia. Já está a caminho. 🙂

Fiquei bastante feliz com a troca, pois eu realmente gostei desse teclado tortinho, viu…

Outro ponto que pode fazer falta são as teclas extras. Além das necessárias, este aqui conta só com um botão para ativar a calculadora, uma tecla de mídia (play/pause) e duas de volume. Não é um problema para mim, que uso o programa Autohotkey para criar minhas próprias “teclas de atalho mágicas”, que uso para controlar o Spotify e rejeitar contos da Trasgo. (Sério. Tenho uma tecla de atalho que insere o texto padrão de rejeição da Trasgo.) *Risada maléfica*

Pontos positivos:

  • Ergonômico sem ser trambolhudo.
  • Bom peso nas teclas. Nem pesado, nem leve demais.
  • Acabamento bonito, com a borda brilhante (não que isso faça diferença).
  • Bom custo benefício, com preço intermediário.

Pontos negativos:

  • Praticamente sem teclas extras.
  • Não há espaço em volta das setas (bom, eu nem me incomodei com isso, mas tem gente que reclama).
  • Os leds de Caps-Lock, Num-Lock e Scroll-Lock se apagam depois de alguns segundos de inativdade (detalhes que ninguém liga, só eu).

Resumindo: cuidem da ergonomia, amiguinhos, porque uma LER ou outro problema semelhante pode atrapalhar muito a sua vida de escritor. E esse é um teclado bacaninha, gostei. 🙂

Frase do dia: Ok, vá em frente e faça a sua piada sobre o mouse na mão esquerda. Muito original. Muito adulto.

Foto: sarmoung via Compfight cc

Postado em Referências no dia 24 de maio de 2016

Um Comentário

  1. Brito Santos

    Brito Santos

    Boa tarde Rodrigo.
    Que bom que existem “caras”, como você por aqui. Ao meu ver, é o que faz a diferença entre o “bom uso da internet”, e o contrário.
    Quando decidi pesquisar um pouco sobre o assunto, podia quase que jurar de pés juntos que, não iria encontrar nada falando a respeito. Sabe, como se essa necessidade fosse apenas minha, algo desnecessário, apenas manha.
    Eis que encontro seu artigo, compartilhando das mesmas preocupações, e como se não bastasse, muito bem escrito.
    A parte de “.. tirei as fotos com o celular na boca…” foi show. Rsrs.
    Obrigado por compartilhar, parabéns. amigo. Provavelmente comprarei um para experimente, graças ao seu artigo.
    “Obs.:” – “Eles deveriam te mandar pelo menos uns 10, pela sua propaganda”.
    Abraços, amigo. ; )

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