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Escrever literatura e não ganhar nada por isso?

Vamos falar um pouco de literatura.

A relação entre literatura e dinheiro é complicada. Escritores escrevem e muitas vezes têm um material acumulado, que não têm um destino certo. Pagando ou não, você vai escrever para tirar essa história da sua cabeça antes que ela vire uma assombração ou psicose. E também, todo mundo quer ser lido, certo? O problema é quando editoras, empresas e pessoas do mal se aproveitam disso.

Por isso vale a pena prestar atenção em algumas coisas. A regra de ouro para você pensar sempre: quem está ganhando dinheiro?

Concursos culturais

Cuidado com concursos que cobram pela participação. Já ouvi de mais de uma pessoa do mercado que “concurso sério não cobra entrada”, este é um dos campos de atuação de aproveitadores. Se quer mesmo participar, veja bem os organizadores.

Coletâneas de contos

Há coletâneas e fanzines que são organizadas entre amigas, distribuídas de graça ou vendidas em pequenas tiragens. Não dão lucro, muitas vezes até prejuízo, e autoras costumam não receber nada para publicar. É um movimento bacana do mercado e sempre um ótimo ponto de partida para quem quer ganhar experiência e publicações.

Há coletâneas organizadas por editoras. Nesse caso, a editora quer ganhar algum lucro em cima do material. Aí já acho complicado topar ceder um texto gratuitamente. Por padrão, autoras recebem uma porcentagem do valor de capa do produto final. Não é muito, e no Brasil isso equivale a um vale-coxinha no fim do ano, mas pelo menos quem vai morder a coxinha é você.

E há coletâneas organizadas por editoras onde as autoras precisam pagar para publicar ou são obrigadas a comprar uma parte da tiragem (geralmente de 20 a 50 livros). Conheço muita gente que publica assim. Mas nada me tira da cabeça que, para a editora, quanto mais autoras, mais dinheiro ela ganha. Por isso acho difícil que a seleção do material seja cuidadosa. O mesmo vale para preparação e revisão dos textos. O material está pago, não tem por que investir muito. Há exceções? Talvez, não consigo citar nenhuma de cabeça.

Disponibilizar o conto para a galere de graça

Acho ótimo! Se for um fórum ou lugar mais voltado a autoras, vai fundo sem medo.

No entanto, se a ideia é fazer uma divulgação, publicidade, publicar na Amazon, Wattpad ou um espaço mais profissional, invista pelo menos em uma boa revisão, para você não passar vergonha com um texto com erros básicos.

Pagar para publicar por uma editora

Eu estava aqui falando sobre se você deve escrever ou não de graça, e agora você quer pagar para escrever? Opa, calma lá… 🙂

Ok, não há nada de errado nisso. Mas você precisa ter na cabeça que pagar uma editora é o mesmo que autopublicação. O trabalho todo de vender o livro será seu. Não conheço nenhum caso onde uma editora foi paga para publicar e fez um bom trabalho de marketing e divulgação do livro.

Esse é um assunto complexo, por isso vou deixar apenas umas ideias:

– Você pode contratar os serviços de uma editora. É como contratar qualquer serviço,há uma enorme variedade na qualidade da revisão, capista, edição. A maior interessada na qualidade do material é você. Pesquise.

– Você pode contratar uma gráfica para imprimir seu livro. Gráfica não é editora. E vice-versa. A opção mais econômica costuma ser contratar os profissionais de forma independente e imprimir em gráfica.

– Não acredite em editora que cobra para distribuir o seu livro em livrarias. Seu livro não chegará lá. E se chegar, vai estar escondido no almoxarifado. E se, por algum milagre divino, chegar a alguma prateleira, não vai vender sozinho apenas por existir ali.

– Lembre-se: quem está ganhando (e perdendo) dinheiro…
a) Se o livro não vender nada?
b) Se o livro vender tudo?
c) Se não sair em lugar nenhum?
d) Se sair feio, errado, tosco?

Quando a editora ganha mesmo se o livro ficar empacado em um armazém empoeirado, é sinal de alerta. Cuidado com isso aí.

Há alguns modelos entre “autor paga tudo e fica com o lucro, se houver”, e “editora paga tudo e autor leva 10%”. A editora de um amigo costuma propor aos autores uma divisão dos custos e riscos. O autor paga 50% da edição, mas também fica com 50% de todo o lucro, por exemplo.

Por fim, basta pensar nos cenários possíveis e quem ganha em cada caso. De quem é o risco sobre aquele livro? Com isso em mente você descobre se está entrando em uma cilada ou não.

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Este conteúdo faz parte do ebook “Quanto vale o seu texto“.

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Frase do dia: Por um mundo onde haja refil de batata frita em fast-foods.

Foto: Bengin Ahmad via Compfight cc

Postado em Literatura Redação no dia 26 de janeiro de 2016

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