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O que raios é Markdown?

“Escrever para a web com o Microsoft Word é como dirigir ao trabalho em um caminhão de 18 eixos.” (Daqui.)

Sempre achei difícil escrever para a web no Word. Não sei se é a interface cheia de botões, ou se apenas a referência clássica, mas ele sempre me pareceu “sério demais”. Tipo, “escrever de verdade”. É como comprar uma papelaria estilosa. Escrever qualquer rabisco ali parece ofensivo. Aí que sempre achei difícil escrever usar o programa para essas besteiras mais leves — posts para blogs, newsletter, artigos, e-mails.

Então acabei descobrindo esse tal de Markdown há coisa de cinco ou seis anos. (Prepare-se que é hora da nerdice:) Markdown é uma linguagem de marcação, assim como o HTML. Ele é um jeito de escrever em texto puro, deixando anotações sobre a formatação. Ih, complicou?

É mais fácil dar um exemplo. Um texto em markdown é um texto corrido, no bloco de notas. Mas ele tem alguns sinaizinhos interessantes, por exemplo:

# Isso é um título

**Isso aqui é um negrito.**
_E isso é itálico._
[E esse é o texto do link](www.endereçodolink)

Ou seja, ele é um texto com alguns apontamentos sobre qual será a formatação do texto final. Ou seja, a ideia do Markdown não é ser uma formatação visual, mas uma formatação de trabalho. Vou dar outro exemplo:

Resultado
Na era dos Dinossauros de Bicicletas, os pedestres tiveram que aprender a pular de telhado em telhado para não ter que dividir as ruas e calçadas com essas bestas.

Em Markdown
Na era dos [Dinossauros de Bicicletas](http://giphy.com/gifs/dinosaur-dinosaurs-trex-xTiTnAUgTbDrsUiHja), os pedestres tiveram que aprender a **pular de telhado em telhado** para não ter que dividir as ruas e calçadas com essas _bestas_.

Em HTML
Na era dos <a href=”http://giphy.com/gifs/dinosaur-dinosaurs-trex-xTiTnAUgTbDrsUiHja”>Dinossauros de Bicicletas</a>, os pedestres tiveram que aprender a <strong>pular de telhado em telhado</strong> para não ter que dividir as ruas e calçadas com essas <em>bestas</em>.

Ou seja: ele é bem mais confortável de ler no formato cru do que o html, enquanto ainda mostra as estruturas do texto. É relativamente completo: tem anotações para listas, títulos, código, imagens, e outras coisas. Também aceita html no texto sem problemas, para as formatações não especificadas.

Tá, pra quê isso?

Já consigo ver os olhos revirando: “Para quê complicar? Escreve no Word, coloca negrito e pronto!

Bom, eu uso vários programas e copio e colo de um para o outro com frequência. Isso costuma bagunçar toda a formatação ou simplesmente ignorá-la, o que me faz ter que arrumar o texto tudo de novo. Às vezes escrevo no bloco de notas, colo no e-mail, tiro do e-mail jogo para o WordPress e assim por diante. Também cansei de enviar um texto ao cliente e ele voltar sem nenhuma das formatações originais (principalmente links, os danados sempre desaparecem). Como o Markdown é texto puro, não existe o risco de perder a formatação. O texto continua com todos os sinaizinhos, não existe uma marcação além do que você está vendo.

Sem falar que ao escrever em texto puro você não tem aqueles momentos em que o programa se comporta de um jeito esquisito, como insistir em continuar a lista mesmo depois de você tê-la encerrado, ou assumir que você quer continuar escrevendo dentro do link mesmo no parágrafo seguinte.

No entanto, meus olhinhos brilham mesmo na hora de revisar. Um texto para a web costuma ter vários links, títulos, subtítulos. Quando você revisa um texto cheio de links em Markdown você sabe para onde cada link aponta, sem precisar clicar, o que poupa um trabalhão. Em uma newsletter com vinte, trinta links, isso é uma economia de tempo imensa.

Em um documento de conteúdo — o documento com o texto de um site — você pode escrever coisas simples como “entre em [contato](página de contato)”, que o designer entenderá que na palavra “contato” deve haver um link, sem precisar de mais explicações.

Markdown Edit – Meu editor de texto favorito

Para livros, contos e literatura em geral eu uso o Scrivener. Para todo o resto eu uso o Markdown Edit. Post de blog, e-mails, conteúdo de sites, newsletters. É um editor de texto gratuito, onde você escreve em markdown e ele automaticamente coloca a formatação adequada, o que facilita bastante a vida (também há um modo com a prévia da formatação, que só utilizo para conferir uma coisa ou outra).

Ele é leve, rápido, gratuito e salva automaticamente de poucos em poucos segundos, o que é uma mão na roda. E tem essa cara simpática de bloco de notas, onde você se sente em casa rabiscando qualquer coisa e contando piadas.

Com layout minimalista (poucos botões, sem distrações), fica ótimo em uma janela estreita: jogo o editor de texto para o lado esquerdo da tela enquanto no restante estão as fontes de consulta e referência do texto em que estou trabalhando.

A cereja do bolo: é possível exportar o seu texto diretamente em html (uso para mandar para o wordpress) ou docx (uso para enviar o documento para um cliente menos técnico).

Você pode baixá-lo em markdownedit.com.

Tá, me convenceu. Por onde eu começo?

Você pode aprenda o básico do Markdown em menos de 10 minutos aqui: http://commonmark.org/help/

Ou pode brincar com a diferença entre o texto “de trabalho” (markdown) e o texto final aqui: http://spec.commonmark.org/dingus/

Frase do dia: "Nossa, você demorou uma hora para responder a três e-mails?" "Na verdade levei 57 minutos montando um script que responde em apenas um minuto."

Foto: darkday. via Compfight cc

Postado em Apps e Canais Redação no dia 19 de julho de 2016

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