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Viver da Escrita Posts

Escrever literatura e não ganhar nada por isso?

Vamos falar um pouco de literatura. A relação entre literatura e dinheiro é complicada. Escritores escrevem e muitas vezes têm um material acumulado, que não têm um destino certo. Pagando ou não, você vai escrever para tirar essa história da sua cabeça antes que ela vire uma assombração ou psicose. E também, todo mundo quer ser lido, certo? O problema é quando editoras, empresas e pessoas do mal se aproveitam disso. Por isso vale a pena prestar atenção em algumas coisas. A regra de ouro para você pensar sempre: quem está ganhando dinheiro? Concursos culturais Cuidado com concursos que cobram…

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Sobre escrever de graça

Então você quer trabalhar com redação, certo? Você vai escrever muito de graça. E não há nada de errado nisso. Desde que, e somente se, outra pessoa não esteja ganhando dinheiro com o seu trabalho. Essa é a máxima. Agora, os detalhes. Escrevo profissionalmente desde o começo da minha carreira. Até antes de formado, se contar os estágios para revistas e jornais, e um ou dois cartões de natal para a empresa de meus pais. E aprendi desde cedo a diferença entre quando vale a pena trabalhar de graça, e quando na verdade é exploração. Já escrevi milhares…

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Feedback: o recurso mais importante a quem escreve

Existe um recurso que costuma passar batido nos debates sobre ferramentas, técnicas e escrita. É algo necessário tanto a quem está começando a escrever como para quem já tem muita coisa publicada. Difícil de encontrar, é muito valorizado por qualquer um que leve a escrita a sério. O nome disso? Feedback. Ou, em bom português, um retorno, uma opinião sobre o seu trabalho. Se você acha que só iniciante precisa deste retorno, faça um exercício. Pegue um livro que você tenha gostado muito e procure a seção “agradecimentos”. Você vai encontrar o nome de pessoas que apontaram os problemas e…

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Moral da história: Um narrador intrometido

Outro dia estava revisando um conto para a Trasgo. Uma boa história, com questionamentos interessantes, mas o narrador mais atrapalhava do que ajudava. Veja só: “O público desprezível vibrava toda vez que o sangue jorrava dos gladiadores, graças à nova lei que promovia entretenimento vil aos cidadãos.” Há duas palavras aí nesse trecho que funcionam como ruído. Dois adjetivos, claro: “desprezível” e “vil”. Eles me forçam a ver aquele cenário com um único olhar. É como se o narrador fizesse muito esforço para me dizer “olha como os cidadãos são crueis”, em vez de apenas mostrar a cena e deixar…

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Como me tornei sonhador

N.E.: Texto do convidado Lucas Amaral, criador do Clube de Autores de Fantasia.   Natal de 1996, tenho oito anos. Em meio às guirlandas, crucifixos e figuras santas, um grupo de pessoas se reúne em círculo. De mãos dadas e ombros nivelados com cinturas em jeans desgastados, os adultos iniciam uma oração. Minha avó, ao perceber que permaneço em silêncio, me repreende. Poucos momentos depois, lá está o pequeno Lucas, repetindo palavras que não lhe fazem sentido algum. Foi o primeiro sintoma da represália social. *** Era um dia qualquer de outono de 2005. Aos dezessete, sou obrigado a postar-me…

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O português está sendo invadido?

A língua é talvez o maior patrimônio imaterial de um povo. É o símbolo que familiariza indivíduos, que une grupos, que carrega nossa história. Mas a mesma língua que aproxima pode ser uma barreira, um muro invisível que reforça ainda mais os preconceitos da sociedade. Como acompanhar a evolução do idioma, sem perder a identidade no processo? Talvez nem mesmo precisemos fazer nada. Essa é a descrição do primeiro episódio de Vida Sonora, um novo podcast, por Igor Rodrigues e Bruno Assis. Trata-se de um projeto que pretende contar histórias sobre muitas coisas. E se você quer trabalhar com escrita,…

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6 coisas que aprendi editando a Trasgo

Se você for aprender de outros escritores, não leia apenas os grandes, porque se você o fizer se tornará tão cheio de aflição e medo de não ser capaz de chegar nem perto do que eles fizeram que você parará de escrever. Eu recomendo que você leia muita coisa ruim, também. É muito encorajador. “Hey, eu consigo fazer muito melhor que isso.” Leia as melhores coisas, mas leia aquelas que não são tão boas também. Os melhores são desencorajadores.”

Um dos privilégios da posição de editor é ver as versões antes da publicação final. Tanto de escritores iniciantes, mas também de gente com histórico de publicações. É tão raro um autor acertar na mosca que sempre existe algum polimento final antes do texto ir para a revista. Fazer esse trabalho foi bastante iluminador.

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Foco

Ou como não entrar em pânico quando o monstro gigante do prazo já chegou à praia. Eu sou uma pessoa que faz muitas coisas. Algumas delas dão dinheiro. Muitas outras (ainda) não. Eu sou o editor da Trasgo. Vamos fingir que a próxima edição da Trasgo não está atrasada, sim? Ok. Como editor da revista, eu leio submissões, faço leituras críticas, respondo aos autores, coordeno ilustração, revisão e entrevistas, junto tudo isso num ebook e ainda publico no site. Mas eu também sou escritor, e volta e meia decido que quero participar daquela coletânea bacanuda, mesmo que eu só tenha…

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Arrume um bom mecânico – e outros conselhos para escritores

O que motos têm a ver com literatura? Eu explico. Estava pensando em uma lista de coisas que eu queria que alguém tivesse me contado quando comprei minha primeira motoca. E nessa de listas, comecei a pensar no que eu queria saber quando comecei a escrever. E não é que as duas listas se tornaram praticamente iguais? Olha só:
1. Arrume um bom mecânico. E confie nele.
Motos quebram. Textos também. E existe muita divergência sobre manutenção de motores. Uns dirão para seguir o manual ipsis litteris outros com mais experiência podem sugerir ajustes mais adequados para o seu perfil. Leve o mesmo problema para três mecânicos diferentes, e talvez você tenha três respostas.

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Gambá com penas

(Ou como convencer seu cliente a pagar por redação)   Escrever é uma daquelas habilidades controversas. Produção de texto é coisa que se ensina na escola, essencial para passar no vestibular, e espera-se até que executivos das áreas de exatas e ciências sejam capazes de articular suas ideias no papel. Então por que pagar um redator? Como é que esta criatura que aqui escreve recebe para fazer algo que todo mundo (em teoria) é capaz de fazer? A resposta curta é que escrever dá trabalho e leva tempo. A resposta longa tem a ver com papagaios. Vamos dizer que o…

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