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Quanto tempo demora um texto?

Neste texto vou ensinar a cobrar pelo tempo em que você dorme. Não acredita? Então vamos lá.

Ao escrever o post sobre quanto cobrar, fiquei com uma pulga atrás da orelha. Escrevi “calcule quanto tempo você leva para fazer um texto e pronto!”, mas essa conta não é tão simples quanto parece. Corremos o risco de contar o tempo que levamos martelando as teclas, mas um texto leva muito mais tempo do que isso.

Como conta de padaria (*entra vinheta: ♪ continhaaa de padariaaaa ♪* )…

Ok, chega de vinheta. Minha média é cerca de quatro horas para fazer “um texto”, esta é a medida inicial padrão para fazer orçamentos.

“Mas Rodrigo, você é lerdo, hein?”

Aí que você se engana, amiguinho.

A primeira parte é a reunião e entrevista com o cliente, onde eu vou entender os objetivos daquele texto e, quando possível, já fazer todas as perguntas necessárias para a criação do dito cujo, levando para casa apresentações, folders e arquivos necessários. Uma hora.

Depois eu chego em casa, pego minha xícara de café e dou uma boa olhada nos concorrentes e referências, para ver como aquele assunto é tratado pelo mercado. Uma hora.

Se o texto está mais ou menos montado na minha cabeça, vamos direto para o computador. Senão eu faço no meu caderno um pequeno mapa dos assuntos que o texto percorrerá.

Ok, abro o Word, Scrivener, WriteMonkey ou que fizer mais sentido de acordo com a fase da lua e martelo as teclas como um maluco. Isso leva de meia hora a uma hora. O resto do tempo é reescrita e revisão, transformar o amontoado de notas em um texto coeso.

Eu digito rápido. O problema é que esta é justamente a única parte que as pessoas consideram “tempo de escrita”. ¬¬

“Ah, mas eu vou cobrar pelo tempo que estou pensando?” Amigo, se você não cobrar pelo tempo pensando, vá quebrar pedras com uma marreta.

É por isso que, quanto maior o projeto, mais barato um texto. Uma série de textos sobre o mesmo assunto economizam muito tempo de pesquisa, que será reaproveitada. Ao escrever bastante para o mesmo cliente, você também terá condições de acertar mais o direcionamento, evitando reescritas e poupando trabalho.

O truque da pausa para um café

Agora que você já sabe que uma parte do seu texto será construída enquanto você não está marretando teclas, tenho algumas dicas para aproveitar melhor essa massa cinzenta que eu espero que exista entre suas orelhas.

O truque é o seguinte: ofereça alguma coisa para a sua mente ruminar no tempo certo. A pausa para um café funciona muito bem para mim.

1: Faça toda a parte de pesquisa, leia e organize as informações

2: Se for um texto particularmente longo ou mais complicado, faça um mapa mental das informações (anotações esquemáticas do que é mais importante. Pode ser um roteirozinho em tópicos, pode ser um organograma com setas, o que funcionar para você).

3: Abra o editor de texto. Digite o título. Se possível, escreva as primeiras três palavras. Faça uma pausa. Não pule esta etapa, principalmente a de deixar o editor de texto aberto. A ideia aqui é começar, dizer à mente que é hora de trabalhar naquela tarefa.

4: Faça uma pausa para um café. Algo em torno de dez a quinze minutos. Não prolongue demais e não se distraia com podcasts, TV ou algo que exija foco e atenção. Mas pode brincar com o cachorro, beliscar bolachinhas (biscoito não pode) ou esticar um pouco as costas no sol. De preferência, pense um pouco no texto que você vai escrever, mas sem fazer muito esforço.

5: Volte para o computador e ESCREVA O TEXTO! Não é o momento de checar Facebook, Twitter, nem nada, por isso deixamos a página em branco já aberta na sua frente, para diminuir a tentação.

Esse método funciona muito bem comigo, é como se minha mente estivesse se aquecendo e o texto sai com muita facilidade. Outro truque é dormir com o texto. Funciona quase do mesmo modo, mas você rascunha os tópicos no fim de um dia e pega o texto no começo do dia seguinte. É como se a sua cabeça trabalhasse naquele texto durante a noite, fazendo metade do serviço para você.

A ideia aqui não é aumentar o número de pausas no seu dia, mas encaixá-las nos lugares certos. Você costuma fazer uma pausa no meio da manhã? Então organize a agenda para deixar tudo mais ou menos pronto antes da pausa. Tem uma produção cabeçuda para entregar? Brinque um pouco com ela no dia anterior à escrita.

Esses métodos não anulam o fato de que você precisa sim de tempo para pesquisar e pensar um texto. Mas é bem melhor cobrar por aquele tempo do cafezinho e do soninho do que pelo tempo que você está batendo a cabeça na parede porque a droga do texto simplesmente não quer sair (acontece também).

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Este conteúdo faz parte do ebook “Quanto vale o seu texto“.

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Frase do dia: Ganhar dinheiro dormindo nunca foi tão fácil!

Foto: Chris Cologne Photography via Compfight cc

Published in Redação no dia 23 de março de 2016

2 Comments

  1. Quando cobro hora aula de cliente que não atendo em casa é assim, hora aula, mais deslocamento = condução e tempo morto, as vezes lanche. Tipo se dou 2 horas aula cobro 1/5 da hora por deslocamento, isto pq moro em São Paulo e complica.
    Quanto a dormir, é um fato que sua mente se ocupa enquanto você dorme naquilo que foi feito um pouco antes de deitar. Aconselho aos meus alunos estudarem para prova na noite anterior.
    Gostei do texto.

  2. Me lembrei do Leminski, que tem um metapoema:

    um bom poema
    leva anos
    cinco jogando bola,
    mais cinco estudando sânscrito,
    seis carregando pedra,
    nove namorando a vizinha,
    sete levando porrada,
    quatro andando sozinho,
    três mudando de cidade,
    dez trocando de assunto,
    uma eternidade, eu e você,
    caminhando junto

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