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Estou há pouco mais de um mês sem redes sociais, e é disto que sinto falta

Eu não faço ideia do que meus amigos estão fazendo. Ou qual é o último livro do momento que todo mundo está lendo. Lançamentos e eventos imperdíveis. Não falo de modo irônico, é como se de repente eu tivesse me afastado da comunidade, embarcado em uma longa jornada sem sinal no celular.

E não acho que esse sentimento seja recíproco: provavelmente ninguém percebeu minha ausência. Essa é a natureza do meio, há tanta informação e conteúdo, que se um show desaparecer, logo outro toma o seu lugar na grade. Quem é que acompanha as listas de filmes que saem do catálogo do Netflix?

"Nossa, mas sair das redes não é muito drástico? E a sua carreira? E a vida social?" Pois é. A resposta não é curta, mas decidi relatar os efeitos da experiência aí embaixo.

Primeiro, as regras: nada de Facebook, Twitter e Instagram, nem no computador, nem celular, nada. Postei uma mensagem (que recebeu total descrença da dona esposa), fiz o logoff destas redes, e pretendia ficar um mês distante, para ver o que aconteceria, e já fiquei surpreso de ter conseguido mesmo ficar afastado.

Feeds, emails, whatsapp não entraram no jogo.

Mas por que atitude tão drástica?

Eu só deixei de acessar três sites, não é como se eu tivesse me trancado em casa me recusando a abrir a porta para quem quer que seja… ou é? Para algumas pessoas, parar de ler o que publicam no Twitter ou Facebook é algo bastante ofensivo (já recebi mensagem "vi que você parou de me seguir no Instagram, o que aconteceu?", mas isso é outra história).

Nas primeiras semanas ausente, passei a ter a sensação, quase física, de encolher. Como se ficasse cada vez menos importante, irrelevante para o mundo. Provavelmente, em algum lugar entre o consciente e subconsciente, eu fazia uma reavaliação necessária de qual é o meu verdadeiro alcance. Eu não vou mudar o mundo com um post no Facebook. Não sou "influenciador",para usar a palavra da moda.

Em contrapartida, comecei a prestar atenção na pequena influência que tenho no círculo ao meu redor. Amigos, familiares, colegas. É como se umas palavrinhas aqui e ai pudessem, pouco a pouco expandir o universo de cada um.

Sem tanto ruído, voltei-me a mim mesmo para descobrir o que pensar. Leio muito, e gosto de saber a opinião de pessoas que admiro sobre a pauta do dia, mas antes eu comprava opiniões enlatadas sem uma verdadeira reflexão crítica, bastava dar uma olhadinha no Twitter que sempre haveria um retweet ou artigo de opinião que eu pudesse enfiar para dentro da cachola e repetir como um papagaio.

“Megafone”, por Ryot

Curiosamente, a greve dos caminhoneiros ocorreu neste período em que estava fora das redes sociais. E me peguei completamente perdido tentando entender o que estava acontecendo, se teria gasolina no posto, se eu já deveria entrar em pânico e estocar comida. Então, como um aposentado, passei a semana abrindo sites de notícias diversos (Folha, Estadão, Carta Capital, Nexo), tentando encontrar algum sentido.

"Ah, mas você estava sendo manipulado pela Grande Mídia™!"

A faculdade de jornalismo me ensinou que raramente um jornal inventa conteúdo. A manipulação acontece na seleção da informação e no modo como ela é apresentada, por isso, a melhor forma de se precaver é buscar uma saudável variedade de fontes confiáveis. E adivinhe: a sua rede social definitivamente não é a fonte mais imparcial disponível.

Se grande parte da mídia brasileira tem um viés manipulador, estava abismado com a desinformação que rolava nos grupos de whatsapp e no Facebook de minha esposa. Pessoas até bem intencionadas, verdade, mas que propagavam todo o tipo de boato com agilidade. "Recebi este áudio no outro grupo, o cunhado da prima do marido da ciclana é caminhoneiro e disse é que verdadeiro".

Logo percebi que eu (e todo mundo) não encontrava sentido naquela paralisação. Porém, tudo bem não entender. No Brasil, é bom se contentar com o absurdo ou contraditório. Sem redes sociais, fiquei sem fórmulas prontas para chamar de minhas.

Agora vamos voltar à questão da influência. Todos nós pensamos que temos um pensamento autêntico, que somos racionais e capazes de montar nossa própria visão de mundo, mas ignoramos o quanto ela é influenciada pelo pensamento da tribo. Você pode ler "tribo" como qualquer grupo que você faça parte ou aspire fazer (sua vizinhança, colegas de trabalho, colegas de faculdade, amigos e qualquer grupo de pessoas que tenham algo em comum). Ou seja, embora eu, individualmente, tenha pouco poder de mudar o seu pensamento, o grupo é capaz de direcionar o pensamento coletivo da comunidade com mais força do que imaginamos.

Os efeitos disso nas redes sociais são um pouco mais complexos, e aqui começamos a entrar na questão dos algoritmos. Algoritmo é um software capaz de aprender sozinho e tomar decisões com base nesse aprendizado. Para todos os efeitos, podemos entender o algoritmo das redes sociais como um robozinho que filtra o que você vai ver ou não nas redes, em que ordem, em que momento.

Aceitar e procurar compreender uma visão de mundo diferente da nossa demanda bastante da nossa energia, e não costuma gerar os cliques e compartilhamentos que a rede social tanto quer. Então os algoritmos passam a mostrar cada vez mais coisas que acha que você vai gostar, e menos do que você provavelmente não concorda. (Sabe aquela história de omissão de informações no jornalismo manipulador? Então…)

O efeito disso a médio e longo prazo é uma menor convivência com quem pensa diferente, e mais conteúdo que reforça a nossa visão de mundo estereotipada (todo mundo tem uma visão de mundo no mínimo limitada, que hipervaloriza a própria experiência como se fosse universal), e assim, aumentam-se as bolhas de pensamento, deixamos de aceitar o diferente, nos tornamos incapazes de elaborar conjunturas e enxergar facetas múltiplas.

O que estou tentando elaborar é que o meu uso constante de redes sociais foi deixando o meu pensamento mais preguiçoso, buscando respostas prontas (e muitas vezes simplistas) para problemas complexos, em vez de investigar minhas próprias verdades.

O que você está fazendo?

O que mais sinto falta das redes sociais é de saber o que meus amigos tem feito, do senso de comunidade que há no Twitter (principalmente dentro do núcleo de escrita, onde rola muita coisa legal). Os amigos distantes praticamente desaparecem quando você faz uma experiência dessas.

Já os amigos próximos você descobre o que tem feito de tempos em tempos, em encontros esporádicos. Mas não é assim que sempre foi? Quando foi que deixamos de perguntar "o que tem feito?", perdendo a oportunidade de deixá-los contar com muito mais riqueza dos seus planos, interesses e aventuras? Ou ainda, quando perdemos a capacidade de contar sobre nós em mais de 140 caracteres ou três parágrafos no Facebook?

Mas volto à questão do algoritmo, porque o algoritmo controla a ilusão, e esta é a questão central no meu problema com as redes sociais. Nós temos a ilusão de saber o que acontece com aqueles à nossa volta. Ou de saber o que está acontecendo no mundo. No entanto, o Facebook, por exemplo, só mostra nossas atualizações, em média, para 7% dos nossos amigos.

Outro dia li a história de um rapaz, bastante ativo nas redes sociais, que se descobriu com um câncer grave em estágio avançado. O rapaz contou isso no Facebook, mas não obteve resposta, e continuou a narrar a evolução rápida da doença. Ninguém respondeu a nenhuma das mensagens, pois o algoritmo não achou importante mostrá-las. Uma de suas grandes amigas (virtuais) notou a ausência das postagens do rapaz após alguns meses, e foi procurá-lo, a tempo apenas de poder se despedir. O algoritmo do Facebook lhe havia roubado a oportunidade de apoiá-lo neste momento tão importante.

Sinto falta de saber o que meus amigos andam aprontando. Mas também me pergunto o quanto esse "saber" era ilusório, e se me acostumar a não saber e perguntar não seria mais autêntico.

Por Will Tirando

O tal do algoritmo e sugestões infinitas

Apesar do que eu disse, o algoritmo per se não é o problema. Só acho que ele é construído com os incentivos errados.

As redes sociais estão na mão de empresas com capital aberto cujo objetivo é trazer lucro aos seus acionistas. A principal fonte de renda são os anúncios, baseados numa quantidade massiva de informações que essas redes coletam sobre nós.

Portanto, os algoritmos têm embutidos os incentivos buscados pela empresa, para nos fazer clicar, ler, clicar, reagir, clicar. Quanto mais tempo dentro daquele site, mais anúncios a ver. Por isso há todo o tipo de manipulação para que a gente não perceba o passar dos minutos e volte constantemente (o mesmo que acontece em cassinos, por exemplo).

Por exemplo, as redes dificultam muito o tipo de consumo de informação que eu mais gosto de fazer, que consiste em "entrar, ver, interagir e sair", que nada mais é que aquela olhadinha no que está rolando. Já reparou em como as redes sociais tornam essa tarefa impossível? Primeiro, que os posts não estão na ordem cronológica, então você não tem ideia do que é mais recente ou mais antigo e torna impossível definir limites como "vou ver só o que postaram depois de quinta".

Segundo que as redes não deixam o conteúdo acabar. Quando você estiver perto de esgotar o conteúdo (digamos que você não tem muitos amigos), vai começar a ver mais anúncios, mais sugestões do que você "poderia gostar", e afins. A rede sabe que quando você terminar de ver o que você precisa ver, você não tem motivo para continuar ali. Imagine pegar um jornal para folhear, mas quando você estivesse chegando próximo à última página, outra surgisse magicamente ali. Seria exaustivo!

Esse é meu problema com algoritmos de sugestão de conteúdo: eu adoro ler, mas se as sugestões são infinitas, é muito mais difícil estabelecer limites.

É por isso que gosto tanto assim de feeds (RSS). Eu entro praticamente todos os dias, e em cinco minutos já vi todo o conteúdo do dia anterior (salvando os conteúdos mais longos para o Pocket, onde leio mais tarde). Eu escolho os feeds que assino, o que quero ler e acompanhar, e não vejo o que não me interessa.

Há também a questão da problemática centralização do poder na internet, privacidade e censura, mas isso é assunto para outro textão.

Então você saiu por ideologia?

Aí é que está. Não. Foi por falta de tempo mesmo.

Desde que minha filha nasceu tem sido muito difícil organizar tudo o que eu quero fazer. Aliás, dizer que "não tenho tempo" é só uma forma mais simples de dizer que quero aproveitar o dia com minha filha e ser um pai presente, mesmo que isso prejudique temporariamente a minha carreira.

Então venho tentando determinar limites mais rígidos em minha rotina, ou melhor, "trabalho somente de manhã e às vezes à noite". Isso me dá de quatro a seis horas de trabalho por dia, mais ou menos. Muito dessas horas produtivamente utilizadas no meu perfil-máquina-de-escrever, que não tem nem acesso à internet.

Na verdade é bastante tempo. Mesmo se você trabalha o dia inteiro, suas horas realmente produtivas para um trabalho intelectual raramente passam de seis horas por dia, geralmente quatro. Menos se você trabalhar em um ambiente com planta aberta, telefones e colegas de trabalho afeitos por uma reuniãozinha.

Antes, quando eu tinha minhas oito horas de trabalho por dia, eu conseguia manter minhas quatro horas produtivas, mais uma hora para responder e-mails, meia hora para organizar os projetos e duas horinhas trocando uma ideia nas redes sociais (parece muito, mas você já mediu quanto tempo você gasta com isso durante o dia?)

Agora eu preciso organizar meu tempo da maneira mais produtiva o possível, e eu não tenho mais essas horinhas.

"Mas e só um pouquinho por dia? Dez minutos?"

Me sobram dois problemas. Primeiro, que é como comer um pedacinho só daquele bolo de chocolate ali da geladeira (nunca é um pedaço só). E as redes sociais sabem como me manipular. Eu começo bastante disciplinado, estabelecendo regras claras, e quando percebo o Twitter já está constantemente aberto na outra aba do navegador, o Ctrl+Tab correndo solto.

E depois, sabe qual a gota d’água, quando decidi sair? Quando um tuíte meu se tornou um pequeno "viral", e se espalhou por aí em retweets e comunidades no Facebook que nem faço parte. Não era nada demais, só um comentário ranzinza irônico sobre barbearias gourmet que calhou de ressoar. É até meio decepcionante, quando você vive do que escreve, que sua "peça" mais lida seja um tuíte mal humorado escrito às pressas.

Então me dei conta de quanto "investimento" eu fazia no Twitter, elaborando frases, pensamentos, a melhor maneira de escrever isso ou aquilo. Apesar de entrar um pouco por dia (nos momentos mais disciplinados), eu estava o tempo todo gastando neurônios "compondo mensagens" que eu gostaria de postar. E isso é loucura!

Este é um efeito que vejo por aí: amigos que tinham ótimos blogs, canais no Youtube ou colunas têm restringido a sua produção intelectual a "threads de 15 tweets", ou "textão de cinco parágrafos" no Facebook. O problema não é a concisão, complicado é gastar energia elaborando algo que será visto por 7% do seu público, que um algoritmo que você não tem nenhum controle escolherá mostrar ou não para a audiência.

Paralelamente (e isso é outro assunto, mas tem a ver com todo mundo estar de saco cheio do algoritmo gatekeeper), parece que estamos em um ótimo momento para newsletters e podcasts, que têm audiência muito mais fiel.

Faz pouco mais de um mês que não faço login no Twitter e até hoje me pego abrindo uma nova aba e olhando para ela, confuso. Um reflexo de quando dar uma olhadinha nos últimos tweets era um reflexo automático, geralmente quando estava trabalhando em alguma parte mais complicada do texto.

Eu estava realmente viciado, sem conseguir me concentrar em um texto ou projeto por mais de quinze minutos de cada vez, o que estava detonando minha produtividade. Estava com dificuldade de elaborar algo mais complexo sem pensar se esta parte mereceria joinhas ou RTs.

Percebi que sou incapaz de me disciplinar sem uma atitude um pouco mais drástica.

Quando você está em um processo de reeducação alimentar, convém não manter um bolo de chocolate na geladeira. É isso que estou tentando agora: reeducar o pensamento para que eu consiga me manter mais tempo focado na tarefa que tenho em frente. Sem parar para aquela olhadinha nas redes sociais, sem elaborar na mente mensagens que eu poderia postar, mas que nada têm a ver com o assunto do texto, tal como:

"Minha filha está naquela fase de experimentar os primeiros estados alterados de consciência. Cogumelos? Não, ela roda como um peão até cair e rir sem parar."

Um efeito curioso do meu semi-isolamento social é que passei a interagir de forma diferente com as pessoas online. Passei a responder newsletters (coisa que nunca fazia antes), a mandar e-mails para parabenizar por algum trabalho realizado, a elogiar aqueles cujo trabalho admiro. E isso tem sido muito mais gostoso e satisfatório do que clicar em um coraçãozinho, um compartilhar, e considerar o elogio feito.

Mas e a comunidade de escrita? E a carreira?

Sabe aquela história de "construir público", de "se envolver com a comunidade", preceitos importantíssimos a quem quer escrever, publicar e ser lido, ainda mais se tratando de literatura de gênero?

Essa parte me faz querer voltar.

No entanto, me pergunto como é que nós sapos nos deixamos ferver assim, e entregamos tanto poder a duas ou três empresas do Vale do Silício. Para manter um contato saudável com a comunidade de escrita eu preciso aceitar ser investigado do avesso para que alguém, com experiência em sistemas psicológicos para cassinos, possa tentar me vender um programa de emagrecimento chamado "Nutricionistas odeiam ele".

Quanto à parte "comunidade de escrita fora das redes sociais tradicionais", tenho uma ideia que começo a discutir nos bastidores. Mais sobre ela assim que eu conseguir respirar. 😉

Mas tenho dois argumentos a expandir sobre a relação do artista com as redes sociais. O primeiro é sobre fases, o segundo sobre mariposas-bondes.

Todo processo criativo passa por fases. Primeiro é preciso certa vivência, depois você junta com referências, passa por um processo de reflexão e maturação, para então chegar à parte produtiva. Escrevi sobre isso em "As quatro estações do fazer artístico".

Não só o fazer artístico, toda a nossa vida acontece em ciclos, e nossa incapacidade de compreender ou aceitar isso é uma grande fonte de frustração. Nós tentamos trabalhar quando deveríamos estar repousando, tentamos emendar um projeto ao outro sem espaço para descompressão.

Dito isso, é importante sim encontrar e participar da comunidade. Mas estou num momento particular da minha vida em que isso não é o item mais importante da minha lista. Ao mesmo tempo, quero continuar produzindo (e esse contato com a comunidade, pelos vários fatores apontados aqui, acaba mais atrapalhando do que ajudando a minha produção).

É meu momento de ser um pouco antissocial, e não há nada de errado nisso. Mais adiante, é provável que o ciclo se inverta e eu me torne mais participativo na comunidade. Quero ter maturidade para conseguir entender e aceitar esses ciclos (e claro, escrever este artigo também é parte do processo).

O segundo ponto da relação da arte com as redes tem a ver com uma reflexão que partiu da newsletter da Fernanda Castro, lá do Bookworm Scientist. Ela comentava sobre como estar longe do eixo Rio-São Paulo a fazia sentir "perdendo o bonde", já que a maior parte dos eventos de literatura acontecem por aqui.

Essa é uma das sensações que me incomoda, sabe, o medo de perder o bonde por não saber nem chegar na parada pra poder esperar por ele. Diariamente, garimpo tweets e postagens para entender o que tá acontecendo, para pescar quem tá fazendo o quê. Numa conversa com um amigo sobre isso (onde cunhamos o termo “melancolia do bonde perdido”), ele citou a Rainha de Alice no País das Maravilhas.

O texto dela me levou à seguinte reflexão:

Existem muitas maneiras de perder o bonde. Eu, por exemplo, me sinto deslocado no tempo. Quando a comunidade está em plena efervescência, estou com uma criança pequena, e não posso (não quero) participar de todos os eventos que aparecem, tenho que selecionar a dedo os que consigo ir.

Mas talvez o bonde não seja realmente um bonde, que anda sempre nos trilhos e pelos mesmos lugares, talvez o bonde seja uma mariposa doida atraída pela luz. Cabe a nós trabalharmos em nossos projetos para sermos essa luz, pois de nada adianta "participar da comunidade" sem ter o que mostrar quando a oportunidade surgir. Ou ainda, participar é importante, mas o que você faz para acrescentar, para agregar?

Então, se eu tiver que escolher entre manter a Trasgo e VdE rodando, ou manter contato com a comunidade pelas redes sociais, eu vou escolher os primeiros. (A triste verdade é que eu mal consigo dar conta desses dois).

Além do mais, oportunidades aparecem o tempo todo para quem está sempre trabalhando.

Como fazer amigos e influenciar seguidores

Este talvez não seja o texto que você esteja procurando, uma resposta definitiva sobre redes sociais. Tudo bem. Percebo que tudo o que escrevi aqui tem relação com o meu momento de vida, com a minha situação com o tempo, e um pouco de ideologia, claro. Tudo muito particular.

Talvez por não estar escrevendo tuítes, eu tenha escrito demais aqui. Quem sabe, ao sair das redes, você vire um daquelas chatos incapazes de pensar em menos de três mil palavras.

Por fim, eu bem que gostaria de terminar esse artigo pregando um pouco, "saiam das redes sociais, fujam para as colinas", mas acho que a reflexão cabe a cada um: qual é o seu momento na vida, na escrita? De expandir os contatos, de retrair para a caverna para escrever? De buscar inspiração, apoio ou companhia? O contato frequente com as redes sociais e com a comunidade está atrapalhando os seus projetos de escrita, ou alimentado o fogo?

Espero que estas perguntas tirem você do piloto automático e coloquem você no seu próprio caminho.

Ah, como estou longe das redes sociais, não adianta comentar esse post lá no Facebook. Deixe seus pitacos aqui embaixo ou me mande e-mail, sinal de fumaça, o que for! Vamos bater um papo.

Frase do dia: Privilégio é poder escolher como você utiliza o seu tempo.

Foto: NASA via Unsplash

Published in Pensamentos no dia 6 de agosto de 2018

4 Comments

  1. Belo texto, Rodrigo! A minha relação com as redes sociais me incomoda bastante, já que ao mesmo sou omisso e não posto/interajo com quase nada (uma espécie de pequeno ato de rebelião) e perco muito tempo seguindo a vida alheia (um parêntesis interessante: por algum motivo o algoritmo Facebook funciona muito mal pra mim. Não sei se é por causa dessa interação limitada, mas ele sempre me mostra coisas de conhecidos distantes, de gente que não concordo, ou propagandas muito mal direcionadas).
    Foi uma espécie de balde de água fria me tocar que as minhas chances de dar certo aumentam muito se eu for uma pessoa mais ativa na internet. Ainda uso essa desculpa pra me manter ativo, apesar do meu desgosto com as redes me impedir de realmente usá-las, fazer posts constantes, tentar vender meu peixe de forma mais agressiva (como vejo muita gente fazendo), e realmente me integrar. É muita coisa pra se preocupar. Às vezes queria ser idealista a ponto de acreditar que, focando 100% em fazer um material cada vez melhor, os leitores magicamente me achariam. Mas nunca acreditei muito em papai noel.

    • Essa história de “se fazer conhecido” é bem complicada mesmo. Não acho que hoje há espaço para um autor hermético, que não se comunica, mas também não acho que para ser publicado seja preciso ser uma estrela nas redes, com milhares de seguidores. Investir num material cada vez melhor é sim a melhor pedida. Se você tiver um material incrível, a parte de exposição fica fácil depois. 😉

  2. Ótimo texto! De certa forma, me ajudou a entender o que tenho sentido há mesas. Essa sensação de perda, essa impotência de só “ver um pouquinho” e quando ver, já passou meia hora rolando o instagram, etc. E as perguntas no final, meu, obrigada. Sei lá, me despertou algo. Obirgada e bom trabalho por aí!

    • Oi, Ana! Então, não gosto de artigos que pregam muito algum tipo de atitude, porque também acho que essa deve ser uma decisão de cada um, baseado em uma série de contextos. Que bom que gostou do texto!

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