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Gambá com penas

(Ou como convencer seu cliente a pagar por redação)

 

Escrever é uma daquelas habilidades controversas. Produção de texto é coisa que se ensina na escola, essencial para passar no vestibular, e espera-se até que executivos das áreas de exatas e ciências sejam capazes de articular suas ideias no papel.

Então por que pagar um redator? Como é que esta criatura que aqui escreve recebe para fazer algo que todo mundo (em teoria) é capaz de fazer? A resposta curta é que escrever dá trabalho e leva tempo. A resposta longa tem a ver com papagaios.

Vamos dizer que o cliente precisa de um texto sobre papagaios

Um redator trabalha de dois modos.

O primeiro, mais jornalístico, é produzindo um texto a partir de fontes diversas, pesquisas e observação. Depois de observar papagaios, conversar com criadores e ler um bom punhado sobre essas aves, o texto é produzido priorizando determinadas informações e com uma sequência lógica.

O segundo é como se fosse uma reescrita. De repente o próprio cliente entende muito, muito de papagaios. Então esse cliente explica ao redator o que sabe, e este parte para produzir seu texto adaptando-o ao propósito necessário. É quase uma tradução, uma reescrita, ou um texto com uma única fonte.

Certo, se o cliente entende tudo de papagaio, por que contratar alguém para escrever isso?

Porque textos não são papagaios. Um bom texto deve ser brilhante, vistoso e animado como um, mas não adianta colocar penas coloridas num gambá. São animais diferentes. Você pode pensar no redator como um tradutor, alguém que vai pegar todas aquelas informações e apresentá-la com mais fluidez.

Um redator também é experiente em escrever para múltiplos públicos. De repente o texto é para crianças. Olha que ave magnífica, de belas penas verdes, azuis e um bico curvadinho. Ou para arrecadar fundos para uma campanha de preservação. A arara-azul voa solitária contra o céu cinza, um dos poucos exemplares em liberdade. Ok, eu sei que arara não é papagaio. Sou redator, não biólogo.

Ah, mas meu sobrinho…

Estava conversando com uma amiga sobre um projeto que não fechamos. Eu escreveria os textos, ela cuidaria das pautas, edição e publicação. Fizemos o orçamento juntos, elaboramos algumas opções mais econômicas que outras, enviamos. No fim, o cliente resolveu contratar um estagiário para escrever esses textos. Por isso vou contar uma historinha:

Há alguns anos eu era coordenador da área de redes sociais de uma agência, responsável por certas redes e blogs de alguns clientes. A área cresceu, fui eu feliz da vida contratar mais uma pessoa para a equipe, cargo de estagiário. O processo de seleção levou quase três meses. Entrei em contato com trinta pessoas recém-formadas ou no último ano da graduação, e eu não conseguia encontrar alguém que atendesse os requisitos mínimos.

Ah, tio, mas você quer um profissional completo pagando o salário de um estagiário? Não. Sabe qual era o teste? Escrever um post de cinco parágrafos para um blog de moda, que fosse coerente e com menos de três erros de ortografia ou gramática. Gente! É o que se pede para alunos da oitava série, e eu estava lidando com pessoas formadas em comunicação, caramba!

Escrever bem não é fácil, e o que não é fácil não é barato.

Contratar um escritor profissional é como contratar um bom ilustrador ou um bom designer. O seu folheto, site, campanha ou blog ganha um aspecto profissional, que cativa o público e é capaz de movê-lo na direção certa. Quantos textos não foram mal interpretados, causando problemas para a equipe de Relações Públicas da marca?

Por isso tanto blablablá sobre o objetivo de um texto. O que você quer, é vender mais? Ou você quer se posicionar como líder intelectual no segmento? Talvez aquele texto deva atrair pessoas a sua causa, ou então encantar. Um texto não é apenas um texto. É um universo de possibilidades. Uma caixa azul voando no espaço-tempo que… Tá, parei.

Pense nisso.

E se precisar de um redator, estamos aqui. 😉

Frase do dia: Choro até em vídeo de pudim se a trilha sonora for do John Williams.

Foto: Tambako the Jaguar via Compfight cc

Published in Redação no dia 4 de novembro de 2015

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