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Porque eu tenho medo de fantasmas

Escrevi uma novela sobre um lobisomem tentando sobreviver trabalhando para a máfia em uma Campinas futurista, um lugar com cucas, sacis, unhudos e outras criaturas. Também escrevi sobre Lúcia, a filha do chefe e parceira de Rhalfe para resolver as questões como assassinato, milícia e hackers. Até que se envolvem em um problema maior do que parece.

A novela chama-se Trabalho Honesto e será publicada de graça somente para quem deixar o nome e e-mail no site que fiz para divulgá-la. Acesse aqui e deixe o seu e-mail lá!

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Mas Rodrigo, você acabou de escrever um textão sobre como publicar um livro, por que vai autopublicar isso de modo experimental?

Trabalho Honesto é uma novela. É grande demais para um conto e pequeno demais para um livro (tem umas 100 páginas). Mas o principal motivo é que é literatura de nicho, o tipo de coisa que não ganha prêmio nem vai para a lista de mais vendidos nem do jornal do bairro. Ele tem:

  • Piada infame com pão de queijo.
  • Piada infame envolvendo um saci hacker.
  • Poliamor, personagem trans, iara com peito de fora e lobisomem pelado.
  • Alguns (talvez vários) clichês do gênero “máfia”.
  • Fan-service (tipo um lobisomem acelerando uma moto, lobisomem saindo na porrada com robôs e armas laser apenas porque sim — e tinha acidentalmente um robô-cafeteira assassino, que não sobreviveu à betagem).

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“E isso tudo você vai… mostrar para as pessoas?” Então, caro entrevistador invisível, vou sim. Porque foi uma das coisas que mais me divertiu quando escrevia. E apesar das palhaçadas e clichês, acredito que Trabalho Honesto tem uma boa história com personagens carismáticos. E porque eu acho que alguém pode se divertir lendo isso.

Olha só os feedbacks que eu recebi das leituras-beta:

“Gostei bastante da história, é diferente de tudo o que já li! (…) Mas achei essa ideia muito mais legal porque abre o espaço pro negócio da discriminação, xenofobia e tal.”

“Gostei bastante da premissa do universo; adorei os personagens e o estilo do texto, ágil, de fácil leitura.”

“No geral, achei que Trabalho Honesto é uma novela de fantasia bastante interessante — só de usar o folclore nacional e evitar o ranço ludita que às vezes parece assombrar a fantasia, a novela já ganharia minha atenção.”

“Me diverti muito e, como grande entusiasta da ficção folclórica, tenho especial apreço quando nossa cultura popular é utilizada em gêneros inesperados. Nesse sentido sua novela faz um grande serviço e cumpre bem o papel de divertir e instigar o interesse.”

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E os fantasmas?

Então chegamos ao título deste post. Por que pedir o e-mail das pessoas? Por que não publicar a novela diretamente em meu blog, no Wattpad, jogar na Amazon e sair divulgando por aí? Porque eu tenho medo de fantasmas.

Quem trabalha para a web está acostumado a lidar com estatísticas. Esse post teve 25 acessos. Aquele texto teve 15 compartilhamentos. E aquela imagem está com 200 visualizações. Tá… O que isso significa? Quem são essas pessoas, o que fazem, elas gostaram, não gostaram?

Este blog, por exemplo, tem mil acessos por mês. A newsletter tem cerca de 250 inscritos. Mas os posts têm um, dois comentários, em média. Alguns até elogiam pessoalmente um post ou outro, e às vezes dá para pescar opiniões por aí. Mas e os outros 950 leitores? O que acharam, quem são eles? São fantasmas.

Lógico, quando escrevemos, nós produzimos para o mundo. Que o mundo leia, veja, ouça e tire suas próprias conclusões. O que voltar em opinião, ótimo! E quanto maior a escala, mais fantasmas. Leitores que às vezes até compraram o seu livro, mas você não faz a menor ideia se leram ou não.

Então resolvi tentar fazer uma experiência simples. Já queria autopublicar, mas decidi pedir um simples e-mail aos leitores. A ideia é a seguinte:

  • Uma pequena barreira inicial, para que a gente selecione os interessados, e deixe de fora os paraquedistas.
  • Criar uma ideia de proximidade. Quem se inscreveu para ler a novela tem mais chance de lê-la (acho).
  • Criar uma via de mão dupla. Eu envio o conto aos leitores e os leitores podem me enviar feedback, ou me xingar, se quiserem.

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Isso vai dar certo? Vai funcionar? O pessoal vai querer ler, em vez de atirar os e-mails lá no fundo da caixa postal? Não sei. É uma experiência. Até o momento tem sido bem interessante acompanhar as inscrições e criar expectativa. Eu mesmo estou bastante ansioso para começar a mandar para o pessoal (preciso fechar a minha própria revisão, para então enviar para a revisora que vai dar um tapa geral no texto).

E se você ficou curioso sobre Rhalfe, Lúcia e Samuel, você pode se inscrever para receber Trabalho Honesto e participar da experiência neste site.

Frase do dia: "Estão batendo de casa em casa… Vendendo pão de queijo." "Pão de queijo?" "É… Para uma ONG ou algo assim."

Foto: Victor Strang

Published in Leituras Pensamentos no dia 26 de julho de 2016

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